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COVID19 – O MUNDO PAROU E ESTAMOS EM UM GRANDE RESET (PARTE 1)

Em julho de 2020 foi publicado nos Estados Unidos o livro “COVID-19: The Great Reset”, escrito pelo professor Klaus Schwab, o grande cérebro que revelou ao mundo a Quarta Revolução, e seu coautor Thierry Malleret, que nos desperta para este relevante fato de que a pandemia do Sars-Cov2 provocou gigantesco reset. A palavra “reset” vem […]

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Em julho de 2020 foi publicado nos Estados Unidos o livro “COVID-19: The Great Reset”, escrito pelo professor Klaus Schwab, o grande cérebro que revelou ao mundo a Quarta Revolução, e seu coautor Thierry Malleret, que nos desperta para este relevante fato de que a pandemia do Sars-Cov2 provocou gigantesco reset.

A palavra “reset” vem do mundo da informática e significa, em termos gerais, parar o funcionamento do computador, celular ou tablet e reinicializar seu sistema operacional, isto é, seu funcionamento. No processo do reset, o sistema apaga da memória o que chamamos de variáveis do sistema e do “stack de trabalho” e as reinicia conforme o padrão estabelecido e tudo volta ao normal, a não ser que haja algum problema de mau funcionamento na máquina (hardware).

No caso, aqui “reset” significa que tudo parou e vai recomeçar, só que muitas variáveis que vão fazer normalmente a vida funcionar ainda não são bem conhecidas e algumas são até mesmo totalmente desconhecidas ou vão precisar ser completamente modificadas ou, até mesmo, deletadas.

A situação se complica, pois, a quarentena, que foi anunciada para ser de algumas semanas, já dura mais de um ano e me parece que seu fim ainda é incerto, pois estão surgindo novas variantes do vírus, até mais letais. Diversas alternativas de imunizantes já são anunciadas e são aplicadas à medida que são aprovadas pelas agências certificadoras, mas ainda não se tem “segurança segura” sobre sua total eficácia. As atuais alternativas de vacinas conseguiriam atender as novas “cepas” do vírus? Qual o prazo de validade, se seus efeitos para quem tomar? Tudo é muito novo. Nas redes sociais, se espalham afirmações belicosas de grupos que tendem, de um lado, ao negacionismo e que vão ao outro lado em reações catastrofistas e conspiratórias. Mas, seja em que número forem, a contaminação continua, também as mortes, a angústia de quem perdeu parente e nem sequer pode sepultá-lo com decência. Já não se pode dizer com tanta certeza, como no começo da pandemia, que esse microrganismo afeta mais pessoa de certa idade ou com certas comorbidades, pois hoje, até crianças e pessoas atléticas têm se tornado vítimas fatais.

Um amigo do curso de especialização em Bioética da escola médica do Hospital Albert Einstein, querido Marcos, advogado, em nosso encontro quinzenal, nos lembrou que as pessoas estão sendo abduzidas dentro do hospital, simplesmente desaparecem. Ainda mais, que o cenário é perverso, as pessoas não conseguem mais ver seu parente.

Ficamos indagando para onde a pessoa foi, os caixões são lacrados, o velório é rápido, poucas pessoas. Isso me faz lembrar que o luto está sendo interditado, a história pessoal e das relações familiares e sociais desaparecem como que em um passe de mágica. Que consequências isso está trazendo e trará para as famílias? Como esse reset trará um reinício, com tanta dor e sofrimento? Como tudo isso está sendo no imaginário das pessoas sobre como será esse novo mundo, esse novo normal?

Há pouco foi amplamente divulgado nas redes sociais o álbum musical de Raul Seixas intitulado “O dia em que a Terra parou!”, lançado em 1977. No começo da música principal temos: “…sonhei com o dia que a Terra parou. Foi assim. No dia em que todas as pessoas.

 

Do planeta inteiro. Resolveram que ninguém ia sair de casa. Como que fosse combinado em todo planeta. Naquele dia, ninguém saiu, saiu de casa, ninguém…”. No passado, também diversos filmes catastróficos que retratavam algo como esse grande reset que estamos vivendo. Só que hoje, essas previsões se tornaram reais, estão à nossa frente, em nosso chão, à nossa volta e as notícias de pessoas contaminadas ou até mesmo que vieram a óbito estão chegando mais perto de cada um de nós alcançando parentes, amigos e vizinhos. Há teorias da conspiração que já se constituem em interessante cardápio aos adeptos deste tipo de discussão.  Mas um detalhe, entre estas teorias, seria interessante considerar se de fato este vírus surgiu em um laboratório, portanto artificial ou sintético, teria semelhança ao comportamento dos vírus naturais? Na literatura em geral, médicos e especialistas já se preocupam com as reações não regulares do comportamento do vírus e mesmo de seus efeitos colaterais, mesmo depois de se declarar que um paciente é curado.

Então, como definir e entender esse “grande reset”? Essa grande parada mundial na vida que está exigindo a sua redescoberta, o repensar da vida (life rethinking)? O que poderemos esperar para nosso futuro vencida a pandemia? Como será o reinício? O que virá de novo, o que será diferente, o que terá a sua data de validade vencida e não mais será considerado? Quais as variáveis que nortearão nossas decisões diárias, já que os marcos ou referenciais que nos davam segurança foram movidos de lugar ou nem mais existem?

Olhando para o passado, ficamos tentando buscar informações e imaginar em como foi a vida nas grandes e antigas pandemias. Como as pessoas ficavam no isolamento? Quais eram as restrições a que as populações tinham de se submeter? Se não havia televisão, internet, redes sociais, canais abertos e por assinatura, ensino virtualizado e tantas alternativas como temos hoje, como as pessoas passavam o seu tempo em casa, como se comunicavam, como se atualizavam sobre as notícias mais recentes? Você já pensou nisso?

Hoje, tudo é conhecido em segundos quase que pelo mundo todo por meio das redes sociais. Isso tem diversos lados. Um deles é que é possível orientar as pessoas quanto aos riscos da pandemia, da contaminação; dar orientações por meio dos serviços médicos para que a pessoa possa evitar serem contaminadas e até mesmo contaminarem outras pessoas. As pessoas também tomam conhecimento da dimensão do cenário local e mesmo mundial sobre o alastramento da doença, sobre as descobertas de vacinas e o sucesso da cura.

Mas também surgem notícias falsas, as famosas “fake-news”, golpes de espertalhões e tudo o mais que acaba promovendo desserviço para o bem-estar de todos. É muito interessante o surgimento de notícias, sem a devida comprovação, de procedimentos e até medicamentos milagrosos para se evitar a doença e até para curá-la. Mais interessante é como estas notícias falsas e outras se espalham como rastilho de pólvora que, em poucos segundos, se tornam em verdades incontestáveis.

Isso me faz lembrar pelo menos dois cenários. Um deles vamos tratar hoje que é o tema em que poderemos ingressar em uma sociedade distópica, que é caracterizada como uma sociedade imaginária que passa a ser controlada, seja por governos autoritários, seja por outros meios, de modo evitar a condições insuportáveis de vida aos indivíduos. Esse tipo de ambiente social surge a partir da realidade do momento atual em que vive uma sociedade atual idealizada a partir de futuras condições extremas. Para que se evite isso, podem surgir poder político totalitário, em geral mantido por uma minoria, mas também privações extremas que levam um povo ao desespero de uma vida detalhadamente controlada. Exemplos de sociedades distópicas foram retratadas no século passado em obras tais como,

“1984”, de George Orwell (1903-1950) e “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley (1894-1963). Já estamos vivendo esse cenário com os controles a que somos submeti- dos para evitar a propagação da doença.

Por enquanto são controles necessários, mas quem garante que serão compulsórios. Já se fala em “passaporte sanitário” indicando a imunização da pessoa portadora que terá livre acesso em viagens, por exemplo. Mas não é preciso ir muito longe, quando a imprensa alardeou no começo o controle pelo acesso à localização de celulares que o Governo do Estado de São Paulo faz para saber se a pessoa está em seu endereço de domicílio e, assim, ter ciência se as medidas de isolamento social estão funcionando.

Já se sabe que na China o controle sobre o histórico da pessoa é bem sofisticado e, pelos recursos digitais (Big Data, Learning Machine, Algoritmos etc.) o controle sobre minha vida e a sua já são bem amplos. Em resumo, será que, com a desculpa para a proteção da saúde e da vida, com o controle sobre o “ir e vir”, sobre a liberdade individual teremos o “vazamento” do controle total sobre nossas vidas? Você tem alguma dúvida?

No próximo artigo vou falar sobre o ingresso na era da “pós-verdade” e teremos mais indagações e provocações sobre esse grande reset em que o mundo parou.

Escrito por Lourenço Stelio Rega

Instagram @lourençosteliorega

Contatos: rega@batistas.org.

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