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Por que será que a ressurreição nem sempre é lembrada?

Tem sido possível ler e ouvir inúmeras colocações de que a cruz de Cristo é o centro da história humana e, com certeza, é um fato chave e fundamental no percurso histórico, por trazer o significado da morte substitutiva de Jesus nos remindo de nosso estado decaído. Aliás, a cruz tem se tornado o símbolo […]

Blog - Páscoa

Tem sido possível ler e ouvir inúmeras colocações de que a cruz de Cristo é o centro da história humana e, com
certeza, é um fato chave e fundamental no percurso histórico, por trazer o significado da morte substitutiva de Jesus
nos remindo de nosso estado decaído.

Aliás, a cruz tem se tornado o símbolo cristão mais utilizado em diversas partes do mundo. E, considerando o ensino paulino de que toda a vontade de Deus deve permear nossa mensagem e, por consequência, nossa compreensão do Evangelho (At 20.27), temos o convite ao aprofundamento do tema e descobrir fatos históricos significativos para a nossa vida e história. Partindo também do ensino de Jesus quando teve de tratar do divórcio e remeteu a busca pela resposta no início de tudo (“… não foi assim no princípio …” – Mateus 19.4 e 8), temos importante pista, pois, ao fazer este percurso de retorno à Criação nos leva ao construto matricial da natureza humana e do próprio mundo. Então, é necessário começar do começo, já que estamos falando em história.

Ao criar o ser humano – homem e  mulher – à Sua imagem, Deus estabeleceu a Sua finalidade: viver para Sua glória como Deus Criador e originador de tudo (Is 43.7; Ef 1.11; etc.). Em outro artigo, aqui nesta Coluna, já aprofundei o significado disto ao conectar esta compreensão com o ensino dos dois grandes mandamentos (Mc 12.28ss; Mt
22.37ss) e, conectando de volta, à criação. Assim, viver para a glória de Deus poderia ser entendido, em princípio, viver em harmonia e comunhão com Deus, comigo mesmo, com o próximo e com a criação (“Viver para a Glória de Deus! O que é isso?” – OJB de 12 de agosto de 2019). Com a queda, entramos em estado de rebeldia contra nosso Criador (Gn 3). Após a queda, dentro de Seu amor, esse mesmo Criador, já prometera nossa recuperação apresentando o que chamamos na Teologia de “protoevangelho” (Gn 3.15), que se concretizou com a encarnação de Seu Filho Unigênito, Sua morte na cruz, Sua ressurreição e ascensão.

Este é o Evangelho completo, em que a cruz é um dos componentes, mas não o único ou mesmo o principal, pois, todos são, ao mesmo tempo, principais, todos são prioridades. Sem um, qualquer outro não existiria. Aliás, o apóstolo Paulo até nos lembra, de forma enfática, que o Evangelho sem a ressurreição é vão, inútil (I Co 15.1ss).
Com o passar do tempo acabamos nos concentrando na cruz, mas ela, sozinha, não completa o todo do Evangelho,
pois, todos estes quatro momentos da história são importantes, e o são juntos: encarnação | cruz | ressurreição | ascensão. Tal é a perfeição da recuperação do ser humano providenciada por Deus.

A encarnação traz Deus transcendente, por meio de Seu Filho, à posição imanente para viver entre nós. Na cruz, Ele
morre por nós pagando o preço de nossa condenação, nos trazendo a justificação (dentro da figura semântica jurídica para explicar esta profunda ação em nosso favor), na ressurreição temos o desafio da nova vida que é apresentada a nós após nossa conversão (Rm 6.1ss). A ascensão nos aponta para a esperança de que tudo será, no final dos tempos, restaurado, quando nosso Mestre voltar em toda a Sua glória.

O centro da história, portanto, não é um só, mas quatro eventos conectados e, juntos, que nos trazem de volta ao
Plano da Criação, em que o Plano da Redenção é servo e meio e, sem o qual, continuaríamos perdidos em nosso estado de rebeldia contra nosso Criador. Ser salvo, portanto, significa buscar a reconstrução da vida a partir do plano
original de Deus na Criação, ter novidade de vida, ser nova criatura, viver em abundância (Jo 10.10), sendo sal e luz,
transbordando o agradável perfume de Deus, como testemunhas vivas da restauração de Deus para toda criação (At 1.8), de modo que as pessoas, ao nosso redor, possam reconhecer a transformação de nossas vidas e se rendam aos pés do Mestre confessando seu estado de rebeldia e aceitando a obra mais do que suficiente dele em nos recuperar.

O centro não é um só, mas todos estes eventos fantásticos promovidos pelo nosso Criador e Redentor: encarnação | cruz | ressurreição | ascensão. Para ilustrar esta bela história trago de presente a ilustração abaixo, de modo que você poderá compreender melhor toda a vontade de Deus (At 20.2).

 

Lourenço Stelio Rega

Teólogo, especialista em Bioética e Ética, escritor, Consultor Acadêmico da Editora Vida

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